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A Estátua Errada no Lugar Errado

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Quase cinco anos depois , tempo suficiente para um político perder a vergonha e um povo ganhar cansaço, o polidesportivo de Chão Bom foi finalmente entregue à população. Entregue como se fosse uma dádiva rara, quando, na verdade, era apenas um atraso histórico com fita cerimonial. O cimento estava aceitável. O erro veio depois. Veio em bronze. Veio coberto de pano. Veio acompanhado de aplauso ensaiado. Porque o verdadeiro acontecimento não foi o polidesportivo. Foi o busto. O busto ergue-se como quem não sabe bem se foi chamado ou empurrado para ali. Há nele uma fadiga saída da mão de quem o fez, uma exaustão que não vem da idade, mas talvez do excesso de memória alheia, memória imposta, memória fabricada, memória que pesa mais do que o próprio corpo. Um homem transformado em símbolo antes de ser questão, talvez até antes de ser ideia. O rosto inclina-se ligeiramente para a frente, como se tentasse ouvir melhor uma cidade que já não conversa com os seus mortos, mas que se sente morta ...

O POVO QUE AINDA RESISTE

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No Tarrafal, já ninguém acredita quando a câmara diz “estamos a trabalhar”. Trabalhar no quê, afinal? No fingimento? No eterno adiamento? Ou naquele truque velho, mas ainda eficaz para alguns, de mostrar três fotografias mal tiradas para provar que a obra de cinco anos está, finalmente, “a avançar”? A Rua Pedonal tornou-se a novela mais longa da história municipal. Se fosse transmitida na televisão, já teria mudado de elenco cinco vezes e, ainda assim, o argumento continuaria no mesmo episódio: o das promessas que não se cumprem. A estrada que devia ser concluída num ano tornou-se a metáfora perfeita da mentira formalizada, do improviso institucionalizado, do “amanhã” que nunca chega e do “quase” que se prolonga até ao ridículo. O mais triste, porém, não é a obra. É a paciência do povo. O Tarrafal habituou-se a viver com asfalto pela metade, valas abertas, poeira permanente, casas inundadas pelas chuvas, idosos com o pé preso na lama e mães que carregam sacos de compras parecendo que a...
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  Cronicando no mesmo dia sobre... Estava uma anciã cortada, amarada nas suas próprias guerras, boca suja, preta cabeça desmatada, gentes da outra parte do mundo bem enfeitadas a espreitava. Ver e observar não é la muito pessoal quando se despe a mulher com o seu tamanho, o importante é preservar a nudez e o que se encontra para la do que se sente nas profundezas do mundo negro. Como é lindo ler o poema de Neruda sobre negros, não inventaram a pólvora, mas temperaram o mundo. É preciso sentir.  Só sentir não pode ir até tesão, é demasiado particular, tesão sentida é também muito pouco pessoal, nada fixo. A mulher está de saia velha, com cores verdes, matas queimadas, sinais de homens violentos, se destaca na ponta da sua cabeça um lenço com imagem de alguns detratores ditadores, lá em cima, são frágeis esses homens, têm amor, odor e um certo desgosto pelo povo.  O amor é frágil e o urubu só cultiva a paciência quando a morte mingua a vida. A mulher esta em frente ao edifí...
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  1 -A pouco tempo, foste selecionado para representar a juventude africano, diga-nos qual foi o aprendizado e qual o exemplo que tens transmitido para a nossa juventude?   Sim, em 2019 fui a Etiópia participar no African Union Model que podemos dizer que é uma formação de como funciona a União Africana e também a parte da liderança juvenil através dos diversos documentos orientadores das políticas de juventude africana aplicada aos diversos países do continente. Um desses documentos é a carta Africana da juventude que devia ser difundida nas escolas e debatida nos ciclos de debate. A African Union Model, foi uma experiência extraordinária, interagir com jovens dos 55 estados membros da união africana com diferentes visões da d sociedade e do continente permitiu ver em termos comparativos que o nosso país tem temos o privilegio de viver em liberdade e em democracia mesmo com os nosso problema. Por isso Acho que neste mundo de mudanças repentinas a juventude deve ousar não ...
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Entrevista com  Mário Loff Quem és tu? Eu sou Mário Loff, mais conhecido por Nor de Gilica, nascido em Ponta Lagoa e criado em Colhe Bicho, mas, assume-se como um tarrafalense ferrenha, e um cabo-verdiano tudu ora. Qual é o equívoco que as pessoas cometem quando falam de ti? Não sei, talvez por aparência que eu tenho a cara sempre amarada, normalmente dou a mínima para isso, de as pessoas estarem preocupadas ou estarem a falar da minha vida, mas respeito-as todas e todos, só pelo facto de estarem a falar de mim, isto é sinal de que estão, talvez, a usar a boca para a sua função, mas resta saber se é bem ou mal, mas é a vida. Como entraste no mundo da escrita? O meu ai você me pegou…. Bom essa coisa de escrita começou a bem pouco tempo, a cerca de sete anos, mas teve alguém que plantou essa semente há mais de trinta anos, a minha querida Mãe que me obrigava a ler livros e jornais e muitas vezes provocava competição entre eu e o meu irmão mais velho, e mais tarde se tornou um hábito,...