Há secas que começam no Voto
Há algo de profundamente inquietante nestas eleições, e não é apenas a disputa entre partidos. O que inquieta é o modo como o absurdo começa a vestir gravata, a sorrir em outdoors e a pedir confiança como se fosse virtude. O mais estranho, e talvez o mais perigoso, é quando alguém com responsabilidades públicas, alguém que ocupa o centro do palco democrático, se comporta como se a política fosse uma rábula de café. Quando o tentamos medir pela estatura dos homens de Estado, ele escapa pela tangente da anedota, do improviso, da bravata. Um dia fala de leis como se fosse comentar sobre o tempo; no outro, trata a escola e o conhecimento como se fossem ornamentos dispensáveis. E há quem ria. E há quem aplauda. E fica a ideia que os cabo-verdianos se transformaram nos desatentos e perpassando a ideia idiota, eles não dizem por essas palavras, mas algumas propostas parecem chamar os cabo-verdianos de idiotas, mas nós não somos isso. O grande pensador italiano lembrava que o fascismo eterno n...